segunda-feira, 6 de junho de 2011

Soneto Exposto


SONETO EXPOSTO

Os desengonçados trânsitos cavernícolas.
A eterna crise com os dentes afiados.
Um país de paisagens marítimas e vinícolas,
em que uns são filhos e outros enteados.

O recorte da serra na distância.
Os pardais semoventes sobre as praças.
Alguns homens sombrios com a ânsia
de não serem roídos pelas traças.

O redil organizado como um caos.
Uns quantos menos bons e outros muito maus.
Uma planície, uma cidade, um chaparral.

E em volta disto o mar, sempre indiferente
do que queira ou não queira a sua gente.
E fica no soneto exposto Portugal.





Inédito - © Amadeu Baptista

1 comentário:

  1. Gente se parece em qualquer lugar do planeta. Gostei do poema. Yayá.

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