sexta-feira, 17 de junho de 2011

De Ítaca ou de Tróia





Talvez porque tenha o andamento de Ítaca ou de Tróia

tenho posto casa ao mal, para meu dessassossego.

Mas quando me perguntam se sou nau ou cavalo

sempre me fico a confrontar a tormenta. Talvez seja



o que o destino me reserva. Por isso, nem sequer me desaprovo,

embora o coração abdique muitas vezes

e raramente saiba onde estou. De Ítaca ou de Tróia

sei que sou. E assim é que avanço, a tomar encruzilhadas



como força de temperamento e de resgate

do que vou sendo, mesmo sem que o seja.

É miserável destino este que tenho,



mas é o meu, cabendo-me em sorte

ser cavalo que naufraga e nau que corre

à frente de mim mesmo sem que me aviste.


(in Ítaca, n.º 3, Lisboa, 2011)

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