quinta-feira, 19 de julho de 2012

Atlas das Circunstâncias



Acaba de ser dado à estampa o meu novo livro Atlas das Circunstâncias. O livro é o nº. 3 da colecção Meia Lua e a edição é da Lua de Marfim. A ilustração da capa pertence a Maria João Lopes Fernandes. Em 2009 foi atribuído a Atlas das Circunstâncias o Prémio Literário 'Manuel Maria Barbosa du Bocage'.
Aqui deixo o fragmento inicial deste longo poema em 30 sonetos:




Não há dias propícios para os fulgores
mortais. Vem-se à terra por uma vereda
acrisolada, com as mãos ininterruptas,
e faz-se a boca diagrama das casas,

sapiência de ver e de sentir, caladamente.
Depois, há só como pensar em tudo em volta
e ver os córregos, as nuvens mansas, a prata
dos telhados, sendo por essa liturgia do silêncio

que há-de ir-se um homem em busca das palavras,
para as sentir e ampliar nos campos e na infância,
enquanto a terra revolve os seus cilícios

de treva e de raízes, a congraçar na cabeça
uma rede de brilhos opacos e translúcidos
em cada pedra.


in Atlas das Circunstâncias, Póvoa de Santa Iria, Lua de Marfim, 2012

1 comentário:

  1. "sapiência de ver e de sentir, caladamente."

    Obrigada pela sua escrita Amadeu Baptista. O livro é lindíssimo.

    Um abraço, Gisela Rosa

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