domingo, 17 de junho de 2012

Iannos Ritsos


Um poema de Iannos Ritsos



FLORESCIMENTO ANTINATURAL


    Queria gritar – já não aguentava. Nada havia para escutar-lhe,
ninguém queria escutar. Ele mesmo temia a sua própria voz,
afogava-se no seu interior. O seu silêncio afogava-o. Pedaços do
seu corpo saltavam no ar. Ele recolhia-os com muito cuidado, silenciosamente,
voltava a pô-los no lugar, fechando os buracos. E se encontrava casualmente
uma papoila, uma açucena amarela, recolhia-as também, colocava-as
no seu corpo, como parte de si – assim golpeado, estranhamente florescido.


(Versão minha - © Amadeu Baptista)



Iannos Ritsos nasceu na Grécia a 1 de Maio de 1909. Aderiu ao Partido Comunista Grego, em 1931. Publicou Tractor, em 1934, inspirado no futurismo de Maiakovski. Devido às suas ideias políticas, algumas das suas obras foram queimadas em público. Foi internado em vários campos de reabilitação. No entanto, a sua produção poética é imparável, com dezenas de títulos. Em 1956, é-lhe atribuído o prémio nacional de poesia pelo livro Sonata ao Luar. Conjuntamente com Giorgios Seferis e Odysseus Elytis, é considerado um dos mais importantes poetas gregos do século XX. Faleceu a 11 de Novembro de 1990.


1 comentário:

  1. Como admiro a sua perseverança, caro Amadeu....
    Respondi à chamada para que não me reprove por faltas, mas ainda não venho munida de um poema sobre o sono, que um dia prometi. Vim para lhe dizer que não está só. UM ABRAÇO.

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