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quinta-feira, 28 de maio de 2015
João Tomaz Parreira
NOTÍCIA DO CERCO DE BIZÂNCIO
Assim foi que, estando a cidade sitiada
Mais do que os baluartes guarnecidos,
Era urgente distinguir o sexo
Dos anjos, a forma exuberante
Das suas asas, se o seu corpo
É o da mulher jovem com um busto fresco
Ou o do mancebo com músculos rectilíneos
Assim foi
Quando era preciso que rezassem com os joelhos
Dobrados, os monges discutiam
Com a harpa do sexo escondida nas cabeças.
20-05-2015
© João Tomaz Parreira, do poema; da foto: Amadeu Baptista
sexta-feira, 22 de maio de 2015
Isabel Cristina Pires
INQUÉRITO A UM ANJO HERÁLDICO
(Anjo Heráldico,
Mestre dos Túmulos Reais, séc. XVI)
Sofre de asma psicossomática? – Sim.
É orgulhoso? - Sou exatamente como você.
Tem comichão nas asas? – Sim.
Quer comentar? – Não.
Qual a diferença entre anjos e arcanjos? - Os olhos.
Como? - Os arcanjos usam rímel.
Qual a sua peça de teatro favorita? – Hamlet.
Porquê? - Precisam todos de mim.
E o seu livro favorito? - Os Peanuts.
Porquê? - Partilham bem o vácuo.
Se fosse água, seria o quê? - O lago Baikal.
Porquê? - Soa-me a lodo.
E se fosse um animal? - Seria um crocodilo.
Perdão?? - Estou farto de ser o mister nice guy.
Porque usa duas faixas cruzadas sobre o peito? - Para me lembrar que não sou um crocodilo.
E se fosse uma árvore?... - Seria uma escada de bombeiros.
Mas uma escada de bombeiros não é uma árvore! - Vê-se que nunca salvou um gato.
Acredita que existe? - Não, mas acredito em respostas.
JOÃO BAPTISTA
(João de Ruão, séc. XVI)
Nu. Pior que nu, está esfarrapado.
Pior que esfarrapado, está indiferente
ao olhar. Está longe das próprias vísceras,
e a viagem que faz perante nós
só tem partida. Os braços e as mãos
foram traídos pelo escultor, os pés em ferida
não têm mando ou destino,
é uma nuvem sem cor que o arrasta
sem fome nem sede nem desejo.
Não é no mundo dos vivos
que um dia irá morrer, apesar
da mão de Salomé, aquela que viu tudo
inalcançável. João transformou-se no deserto
e só ele caiu na eternidade - é esse o olhar
com que nos ignora, são esses os farrapos
que apodrecem .
A dor, a grande dor que não se vê,
é o alimento dos deuses
e dos homens.
PIETÀ
(Frei Cipriano da Cruz, séc. XVII)
I
Quem não tem a sua Pietà dentro do peito?
Quem não viveu o grande Nunca Mais?
Quem não viveu?
II
Mas como se mostra um filho morto?
Esta lava, esta nudez, este estupor
da carne abandonada?
A dor é simples e letal, e só depois
se abre o teatro do obsceno.
A mãe desaparece e fica a diva,
o filho não morreu, não vai morrer,
não vai nunca morrer, a mãe não sabe
deste happy end da salvação, do volte-face
após três dias, e chora e ergue os olhos
e tiram então fotografias que vendem mil jornais
e levam a todo o lado aquela injusta
tragédia. A morte vende sempre, dizem eles.
III
Stabat Mater. Eis a mãe dolorosa
exausta de existir, com o corpo
dissolvido em ácido sulfúrico. É uma dor de bicho,
que mata todo o pensamento, toda a Terra.
Para lá da madeira, da pintura,
o íntimo vapor de um ser humano
queima a alma.
IV
O pesadelo aconteceu.
A mãe que abraça um filho morto
perde-se do mundo para sempre.
Nunca mais, repete. Nunca mais.
Nunca mais existe toda inteira:
a mão esquerda de Deus
cortou de mais.
V
São estátuas dentro de estátuas
num duplo silêncio que sepulta.
Esta é uma morte escancarada
que faz cair a casa onde moramos.
O Cristo arrefece de hora a hora
num corpo nu e azul todo estendido:
a morte que vejo é sem esperança.
VI
Se ressuscita, não sei - a tirania
do agnosco ! Sei
que lhe festejam a vinda
num domingo solar da primavera,
quando tudo sai da terra num triunfo.
Conheço o grande aleluia
e os paramentos de festa.
Do Cristo ressurrecto nada sei.
VII
Só sei
que tudo ressuscita.
ODE A UM EXTINTOR DO MUSEU
OU ACERCA DA INVISIBILIDADE
Cheguei carregada de sulcos e de nuvens.
Ao meu lado direito, um objeto sem ânsia,
o mais sujo degrau de um sistema de castas
com o seu aço vermelho de palhaço.
Encosta-se à parede com um abstruso
bico aberto, e ali permanece o dia inteiro
feito de horas que o lambem com vagar,
como uma gata que lambe os seus gatinhos.
Este extintor é o soldado necessário
que me dá e que me tira um mundo inquebrável
e ausente. Mas ele é o que é, nada consente, saiu
de uma sarjeta e foi elevado à assepsia
brilhante da cidade, um esgoto de platina, o balde
e a vassoura de ir ao baile, o brado obsceno
no chão da catedral. Aqui não o distingo
como coisa: vivemos para ser cegos num museu,
ou depressa morreríamos no rigor maníaco do dia.
Mas hoje vi. Ninguém tão exilado, tão leal, tão sem
cartas de amor e sem ninguém que olhe o bom criado.
E o facto de estar só, e invisível, e tão longe de todos,
sendo de todos talvez o salvador,
transforma-o, aí está, num ser humano
in 'Cidade das Imagens', 2015
© Isabel Cristina Pires
© das fotos: Amadeu Baptista
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
João Tomaz Parreira
DOIS POEMAS DE JOÃO TOMAZ PARREIRA
Conheço as línguas dos homens. São físicas
descrições de sons e sentidos, desdobram-se
em cores para pintar o mundo. São frias
se vêm do norte, do sul se vêm com fogo.
Com as suas línguas
de metal celeste, conheço os anjos.
Mas será como ter os ouvidos tapados
com silêncio, se não tiver amor
Conheço a maneira de transportar os montes
e os mistérios que posso esconder
entre os meus lábios, e no espelho
que é a profecia, posso ver o futuro. Nada será
se não tiver amor. E ainda que conheça a cor
do dinheiro e os pobres
que se alegram comigo, o que importa
se não exercitar na alma o gozo do amor.
17-10-2014
Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.
1. Coríntios 13 1-3
A VIRGEM DE LEONARDO
Tem um par de olhos quase obscenos e um sorriso
Enigmático, onde tocam
Os pássaros desocupam os ramos, despem
Os nossos ouvidos de ressentimentos
Sobre o dia que passa
Rasgam a carne, tiram o coração do sério
Do seu batimento
Absorvem
Todo o ar à nossa respiração
Sob a ausência do seu par de olhos e do sorriso
Quase obscenos
Quando se afastam morremos
Em silêncio, sem memórias.
21-11-2014
© João Tomaz Parreira
foto: © Amadeu Baptista
quarta-feira, 14 de maio de 2014
João Tomaz Parreira
DOIS POEMAS DE JOÃO TOMAZ PARREIRA
HELENA DE TRÓIA
Helena de alvos braços
Helena, divina entre as mulheres
Canto III, da Íliada, de Homero
Pela beleza dos teus olhos mil navios
fazem-se ao mar, pelo fogo
que o vento nos teus cabelos despenteia
mil olhos ficaram com insónias
Pelo amor inatingível do teu corpo
mil homens dão o peito à morte
e pelo ouro dos teus lábios, gritam
nas praias de Tróia mil heróis
Pela tua beleza transparente nos vestidos
erram ainda cegos pelos campos
à procura de vestígios.
'Helena de Tróia', por Evelyn de Morgan. 1898
A MULHER DE SAMARIA
Não é qualquer uma. É uma mulher ao meio-dia
De olhos no chão, equilibrando o cântaro
Frágil
Cada lágrima que esconde
É uma mulher que teve abraços
Beijos na sua face morena, escondida
Em silêncios
Não é qualquer uma, é uma mulher
Que conhece bem o seu rosto
No espelho triste do fundo do poço
É uma mulher ao meio-dia
Que resiste, mesmo que isso a torne
Invisível, para que outros não tenham sede.
'Mulher da Samaria', por George Richmond. 1828
© dos poemas: João Tomaz Parreira
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
Rui Almeida
UM POEMA DE RUI ALMEIDA
AVE MARIA DE SCHUBERT (LUCIANO PAVAROTTI)
Para o Amadeu Baptista, no seu 60.º Natal
Repara no anjo da anunciação
Resposta certa ao inexplicável e só
Pela doçura se chega
Ao incomensurável da graça.
© Rui Almeida
sexta-feira, 21 de junho de 2013
José Luís Tavares
DOIS POEMAS INÉDITOS DE JOSÉ LUÍS TAVARES
28.
Olhas para lá das colinas,
e a idade é onda que vem,
profunda de extremo a extremo,
solene nome caindo assim opaca
em ti sozinho com a vida.
Mas vem no riso nascido na boca
do mais só, do que ganhou gosto
à fome de mais vida, sem jeito para
a melancolia nem para a vergonha
de chorar a dor dos outros.
A bem dizer, não te comovem os ademanes
metafísicos, ó criança sentada nas trevas
que protegem a infância, quando a febre
descia devagar como um dom celeste
à correnteza oculta das vidas subitamente
iluminadas.
Mas vês a demora nas mãos dos construtores,
esses que selam nas pedras os pactos com
o tempo e um sinal de eternidade deixam
sobre as cabeças comovidas por essa paciência
que não cuida do azebre desenhando
as rosáceas da extinção,
porquanto olhando para lá das colinas
o que se vê é da ordem do puro pensamento,
da iluminação mais secreta – fundas paisagens
com seus perfis trementes, posto que
o incomovível vento, que é caçador audaz,
uiva nos mastros erectos, entenebrece
nos esteios lavados pelas chuvas,
mas tudo persiste
entre queda e queda, no redemoinho de pó
restituidor da perene pensada vida.
23.
(com joão vário)
Não te deram coroa alguma
para te medires com os da tua casta,
mas a pedra que conhece de antemão
o lugar da conveniência e aterra
sem o pavor da grandeza na funda
predestinada, posto que voracíssimo
é o ofício das parcas e mais esteios
não dispões tu que esse sal que preserva
a intensidade com que se amanha
esse ofício ambivalente.
E sob tal tecto vigias a calamidade,
pois para a continuidade não basta
o estrondo da exaltação, ó homem
dilacerado pelas indagações fatídicas,
habituada que a vida é à estreiteza
abnegada, à sua altiva orfandade,
sem o unguento do alívio ou qualquer
outro rumor reparador.
Estás só, medindo-te com a vara do teu
senso, e é deveras uma via estreitíssima
que não se abandona com a vinda
do escuro, pois muito esperaste pelas contas
do passado, pelos argutos conselhos
temperados de sagacidade; e ainda assim
só estás e continuarás no chão da semeadura,
e nada deves às sibilas imemoriais,
nem a coroa do espanto ou o favo
da coragem, que tudo é pedra talhada
com a abnegação que não prescinde da incerteza,
e para atravessar tal desígnio nenhuma estendida
meada existe – tudo é construção no ovo
da contingência, e quem por ti, quem por ti,
ó homem em duas metades repartido?
inéditos - © José Luís Tavares
quinta-feira, 14 de março de 2013
Rui Almeida, um poema
UM POEMA DE RUI ALMEIDA
Uma pedrinha e outra pedrinha,
Folhas de árvore, várias, de várias formas,
Um troço de madeira, um fruto
Seco a aflorar ao rés da terra.
Coisas. Momentos do mundo
Que é o que surge diante. Nada diz
Mais do que é ou pode ser:
Um pedaço de musgo é a sua cor,
O seu cheiro, a textura quando a mão
Se encontra com ele. Tudo isso
É já o que podia ser. E nada morre,
Nada se consome na possibilidade de não ser
Porque tudo é. A não ser o tempo,
Coisa sem ser coisa, que não é,
Mas persiste dentro e fora
Deste e daquele pormenor, em cada vida.
Poema © Rui Almeida
Foto © Amadeu Baptista
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
João Ricardo Lopes
Registo a amabilidade do João Ricardo Lopes, que se quis lembrar de mim dedicando-me o seguinte poema:
OFÍCIO
para Amadeu Baptista
nos livros de poesia que li, da Noruega ao Lesoto
da Bolívia ao Nepal, sobressaem a lápis e a caneta
os versos sublinhados em dias de abundância
- tão pródigos que mal precisei de comer
é o que fica: traços no papel semelhantes a charcos
de água, poças de luz reverberando o belo
ou enchendo de amor as nossas mãos vazias
ou os nossos impolutos e ofuscados olhos de apóstolo
nos livros de poesia que leio, de agora e de sempre
dos vanguardistas, dos clássicos, encontro eu o ofício
mais árdua sobre a verdade mais solitária:
arriscar tudo, ou mais ainda, a troco de nada
Poema: © João Ricardo Lopes; foto acima (Luxemburgo): © Amadeu Baptista
João Ricardo Lopes (n. 1977) é pós-graduado em Teoria da Literatura, tendo sido bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian entre 1995 e 1999. Leciona a disciplina de Língua Portuguesa no ensino básico e secundário, tendo publicado cinco livros de poesia e um de crónicas. Leitor ávido de poesia das mais diversas proveniências no mundo, viu alguns dos seus poemas serem traduzidos para inglês, francês, servo-croata e castelhano. É autor do blog DIAS DESIGUAIS, em www.diasdesiguais.blogspot.com.
sábado, 3 de novembro de 2012
João Tomaz Parreira
POEMAS SOBRE FOTOS DE CRIANÇAS
DO HOLOCAUSTO
AINDA A TEMPO DA INFÂNCIA
A LIBERTAÇÃO
A neve
que caía como as plumas
de um céu assustado
era um toque suave nos cabelos
nos rostos e nas fechadas mãos
ao frio
era a primeira voz de amor
a neve, no silêncio
branco que se ouvia.
Foto: 1 ( Logo após a Libertação crinaças de Auschwitz saem das barracas em 27/1/1945)
DEPORTAÇÃO
A morte não deveria ser obrigatória
em marcha
nestes pequenos pés
Uma fila de olhos sem regresso
pequenas dimensões
onde só deveria estar a alegria
vão
sem reparar que é enganosa
a sua infância tranquila.
Foto 2 ( Deportação de crianças judias do gueto de Lodz, Polônia, durante a ação "Gehsperre"
(toque de recolher), setembro de 1942.)
BARRACA 66
Esperavam que a voz fosse suave
as palavras novas
num toque de pluma nos ouvidos
nos olhos
que não estão assustados
O sorriso começa agora a dar um ar
das suas asas, um pássaro
novo
deixa alegres vestígios sobre a neve.
(Foto 3 : Foto de crianças sobreviventes da ala infantil--Barraco 66--do campo de Buchenwald, logo após a libertação
do mesmo pelos Aliados. Alemanha, foto tirada após 11 de abril de 1945.)
A TIJELA DA SOPA
Uma sopa de brancura fria
espera
que um retrato, sem dor ainda
se revele eterno, todo
o retrato é assim
preserva olhos discretos
e outros olhos mudos
abertos
que por uma vez percorrem
todas as distâncias
no meu corpo.
( Foto 4 : Crianças judias com tigelas de sopa no gueto de Varsóvia. Varsóvia, Polônia, por volta de 1940 )
DUAS ESTRELAS
Duas estrelas apagam
o brilho dos olhos, o branco
é quase intenso, fere
como fumo e cinza
nosso olhar desprevenido
Duas estrelas entram
pelas janelas da minha casa
e aí estremecem a água dos meus olhos.
( Foto 5: Dois irmãos posando para uma fotografia de família no gueto de Kovno. Um mês depois, eles foram
deportados para o campo de Majdanek. Kovno, Lituânia, fevereiro de 1944.)
*
* *
Poemas© de João Tomaz Parreira
João Tomaz Parreira ou J.T.Parreira, Lisboa, 1947. Poeta. 6 livros de poesia (Este Rosto do Exílio,1973; Pedra Debruçada no Céu, 1975; Pássaros Aprendendo para Sempre, 1993; Contagem de Estrelas, 1996; Os Sapatos de Auschwitz, 2008; e Encomenda a Stravinsky, 2011 ). Um ensaio teológico (O Quarto Evangelho - Aproximação ao Prólogo, 1988). Participação em Antologias. Escreve na revista evangélica «Novas de Alegria» desde 1964 e no Portal da Aliança Evangélica Portuguesa. Na juventude escreveu poesia e artigos no suplemento juvenil do "República", entre 1970-1972.
Nota: sob a etiqueta 'Reincidências' se registará toda a colaboração neste blogue dos poetas que já tenham por cá passado como Poetas Convidados
domingo, 21 de outubro de 2012
sábado, 21 de julho de 2012
João Tomaz Parreira
3 SALMOS INÉDITOS
SALMO 7
Aos que me perseguem, o Senhor apaga
o meu rasto, esconde os meus passos
dos olhares felinos, o meu coração
está aberto para Ele
Meu Deus haverá remédio para mim
a minha alma já não teme o teu arco curvado
nem as setas inflamadas
começa a aprender os altíssimos louvores
na tua própria língua.
SALMO 51
Ó Deus, o meu pecado ensurdece-me
é no meu interior um ruído
como a convulsão da terra, antes do sismo
os meus delitos entraram na corrente sanguínea
dá-me, ó Senhor, um coração branco
renova a verdade que um dia escolheste
nos meus olhos, como a neve nos ramos
das árvores, embranquece
os meus ossos humilhados
e os lábios
desenharão palavras de alegria.
SALMO 121
A dureza dos montes começa nos meus olhos
um paradoxo
para quem tem sublimes alparcas de voar
por isso fecho os olhos e os lanço
fora da órbita do mundo
para ti, Senhor, que fizeste o azul
onde puseste esta raíz dos homens
que é a terra
não haverá queda porque teus passos
são os mesmos do Senhor, diz
a voz que extingue dentro de mim
os medos que o Sol e a Lua
costumam esconder.
© João Tomaz Parreira
Do livro Falando entre vós com Salmos (inédito)
Fotos (ilustração dos poemas): © de Amadeu Baptista
Poemas© de João Tomaz Parreira
João Tomaz Parreira ou J.T.Parreira, Lisboa, 1947. Poeta. 6 livros de poesia (Este Rosto do Exílio,1973; Pedra Debruçada no Céu, 1975; Pássaros Aprendendo para Sempre, 1993; Contagem de Estrelas, 1996; Os Sapatos de Auschwitz, 2008; e Encomenda a Stravinsky, 2011 ). Um ensaio teológico (O Quarto Evangelho - Aproximação ao Prólogo, 1988). Participação em Antologias. Escreve na revista evangélica «Novas de Alegria» desde 1964 e no Portal da Aliança Evangélica Portuguesa. Na juventude escreveu poesia e artigos no suplemento juvenil do "República", entre 1970-1972.
Nota: sob a etiqueta 'Reincidências' se registará toda a colaboração neste blogue dos poetas que já tenham por cá passado como Poetas Convidados
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