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terça-feira, 25 de junho de 2013

O Bosque Cintilante # 82

Georges Bizet: Farandole, da Suite Arlesienne

 Estou ligado a um cabo de alta tensão.

Sou uma força da natureza.

(O anjo responde ao anjo.)


O Bosque Cintilante, Maia, Cosmoroama, 2008
© de Amadeu Baptista

segunda-feira, 6 de maio de 2013

O Bosque Cintilante # 80

Franz Liszt: Consolação

Não se extinguem os sinais da tristeza
para aquele que parte. O coração
talvez exulte com a partida,
mas a tristeza é enorme
para o que não tem regresso
e mesmo se regressa se obstina
em pensar tudo o que perdeu.
Não há consolação para quem ama
e em silêncio se despede
do que não é plausível reconsagrar.


O Bosque Cintilante, Maia, Cosmoroama, 2008
© de Amadeu Baptista




segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

O Bosque Cintilante # 71

COM OS VOTOS DE UM EXCELENTE NATAL



Ludwig van Beethoven: Allegro con brio, da Sinfonia No. 5 em dó menor

Quero que tudo seja unívoco e tangível.
Procuro que todas as coisas possuam o rumor da eficácia
e confluam num único momento de plural sinergia
para a exortação, a exaltação, o extremo.

Quero que tudo seja decisivo e incontornável como uma árvore.
Procuro que tudo siga o fluxo da imortalidade
e habite a única vontade possível,
a vontade dos homens.

Quero que tudo seja inexorável e autêntico.
Procuro que tudo se firme na infinidade,
a música e o triunfo,
a rebeldia e a luz.

Quero que tudo seja abrangente e divino.
Procuro que tudo seja simultaneamente plausível
e impossível, mais do que esperança, paixão,
mais que paixão, amor.


O Bosque Cintilante, Maia, Cosmoroama, 2008
© de Amadeu Baptista


sexta-feira, 4 de maio de 2012

O Bosque Cintilante # 32

Ludwig van Beethoven: Ode an die Freude, da Sinfonia No. 9

Não sei se isto é um hino e os anjos
precisam deste instrumento
para ampliar o silêncio. O que sei
é que chega de longe esta surpresa
de poder segmentar em força o coração
que em mim pulsa e eu não sei
de onde vem quando na música
pressinto um tema que só aos anjos pode pertencer
pela pujante candura dos acordes
e a humilde magnificência da alegria.

Tudo quanto ignoro é que está bem.


in O Bosque Cintilante, Maia, Cosmoroama, 2008
© de Amadeu Baptista