Fotos: © de Amadeu Baptista
segunda-feira, 30 de abril de 2012
EDITA 2012
Vai realizar-se, de 3 a 5 de Maio, em Punta Umbría, Huelva (Espanha), o XXII EDITA - Encontro Internacional de Editores Independentes, uma organização do Ayuntamiento de Punta Umbría y Diputación Provincial de Huelva, com direcção de Uberto Stabile.
O evento terá, para além das respectivas apresentações de cada editora, exposições, venda de livros, música, performances e recitais.
Participam autores e editores de Espanha, Brasil, Colômbia, Equador, México, Portugal, Peru e Venezuela.
De Portugal marcarão presença:
Bíblia (Lisboa)
Chili com carne (Cascais)
Cosmorama Ediçoes (Bragança)
Mandrágora (Cascais)
No dia 4 de Maio, haverá uma homenagem ao poeta português Rui Costa (recentemente falecido), pelas 19H30, no Teatro del Mar
O evento terá, para além das respectivas apresentações de cada editora, exposições, venda de livros, música, performances e recitais.
Participam autores e editores de Espanha, Brasil, Colômbia, Equador, México, Portugal, Peru e Venezuela.
De Portugal marcarão presença:
Bíblia (Lisboa)
Chili com carne (Cascais)
Cosmorama Ediçoes (Bragança)
Mandrágora (Cascais)
No dia 4 de Maio, haverá uma homenagem ao poeta português Rui Costa (recentemente falecido), pelas 19H30, no Teatro del Mar
domingo, 29 de abril de 2012
O Bosque Cintilante # 31
Camille Saint-Seans: O Cisne, de Carnaval des Animaux
Erguemos o sonho em cinco dias, tivemos o poder
da ilusão, a areia e o vidro partilharam
este elo de múltiplas interrogações, a eternidade
que se implanta na parte mais secreta do olhar e atravessa
a superfície da verosimilhança para que algo se destrua e frutifique.
Pensámos o sonho e acrescentámos ao silêncio algum fervor,
o sonho produziu pássaros e peixes num primeiro momento,
mais tarde alguns cavalos, agora
este silêncio que acrescenta à magia
o sobressalto e a fragilidade. Eis
o estremecimento, descemos pela sombra
e encontramos outras figuras adjacentes ao rosto, lágrimas
de cristal, asas azuis, a esfera luminescente
onde uma árvore evolui, evoca,
equidistante,
a arte do augúrio.
in O Bosque Cintilante, Maia, Cosmoroama, 2008
© de Amadeu Baptista
sábado, 28 de abril de 2012
O Bosque Cintilante # 30
Johann Strauss: Wiener Bonbons
Escutando o que escuto é impossível
deixar de verter em sortilégio o que o silêncio
vem entregar-me quando a noite principia.
Produz o encantamento esta desordem,
tão próxima da luz e do deserto.
in O Bosque Cintilante, Maia, Cosmoroama, 2008
© de Amadeu Baptista
sexta-feira, 27 de abril de 2012
O Bosque Cintilante # 29
Franz Schubert: Standchen
Os pensamentos que me assaltam nesta madrugada
fria de Setembro
não estão longe da distância dos teus lábios
e do rumor suave das tuas mãos que tocam
as insígnias de Deus sob o dorso da terra.
Se olhasses para mim verias nos meus olhos
a lancinante expressão da solidão
e a esperança sem qualquer indecisão
de que é possível o teu nome ser maior
que o céu que me vela o silêncio da noite.
Amar-te desde sempre é mais que uma forma de estar vivo
e dar expressão à divindade que trago comigo
desde que atravessei a fronteira
que entre o mar e o mar estabelece
a luz mais verdadeira.
O mais sequer é tempestade que neste coração sangra,
ou dúvida subtil ou estremecimento,
sentindo o alvoroço em que te sinto
apenas peço que sejas tu o assombro
e me devolvas enfim a harmonia.
in O Bosque Cintilante, Maia, Cosmoroama, 2008
© de Amadeu Baptista
quinta-feira, 26 de abril de 2012
manuel a. domingos
manuel a. domingos, poeta convidado
3 POEMAS INÉDITOS
Contrapunctus 1
Sento-me à mesa
O lápis em vez da caneta
já vai algum tempo
Não sei o que espero
nem a razão deste verso
Coisas há impossíveis
de definir: tu na sala
lês um livro qualquer
e nesse livro também tu
de pernas cruzadas
na luz do fim do dia
O silêncio da casa é
um mundo novo
que não vem em nenhum
compêndio ou gramática.
Contrapunctus 5
Acordar tarde é
uma opção entre outras
como por exemplo
ficar abraçado a ti
ouvir o filho dos vizinhos
gritar pela mãe
vezes e vezes sem conta
decidir que não está
um dia tão mau para sair
Por isso dispenso
a poesia a esta hora
Que mais podemos fazer
se lá fora chove
e o edredão aquece mais
que todo o sol do mundo?
Contrapunctus 7
Há sempre uma luz
que amplia a noite
devolvendo a tua sombra
a dançar no estuque
Seria um exagero dizer
que quero para sempre
aqui ficar mas tenho
esta tendência para
a hiperbólica visão dos dias
para ser decadente
passear pela rua cigarro
atrás de cigarro
praguejar ininterrupta-
mente logo eu que nunca gostei
de advérbios de modo
Fotos ilustração dos poemas © de Amadeu Baptista
manuel a. domingos (1977) tem colaboração dispersa em várias revistas: Praça Velha (Guarda), Palavra em Mutação (Porto), Sulscrito (Faro), Big Ode (Lisboa), Sítio (Torres Vedras), Piolho (Porto) e A Sul de Nenhum Norte (Coimbra). Foi colaborador do suplemento literário Correio das Artes (João Pessoa, Brasil). Publicou, até hoje, três livros de poesia: Entre o Silêncio e o Fogo (AQUILO Teatro, 2002), Mapa (Livrododia, 2008), Teorias (Edição do Autor, 2011).
quarta-feira, 25 de abril de 2012
25 de Abril (Sempre!)
Num só dia os deuses assinalaram
o ciclo de negrume e crueldade
que se expandia na pátria. E pararam
tudo o que, sendo inverdade,
feria fundamente todos quanto
da terra não mais queriam que a paz.
E num momento tudo foi espanto
do que pode construir-se e se perfaz
quando pelas ruas a alegria vem à luta
e o novo dá lugar ao que era velho.
Foi esse dia não mais do que vermelho
e deuses fomos na bênção absoluta
em que a exaltação de um foi a de mil
por todo o júbilo que nos trouxe Abril.
inédito - © Amadeu Baptista
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